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Dr. Gabriel Moore – Saúde Mental


Avaliação médica em ansiedade

Dr. Gabriel Moore — CRM-SC 33110

Consulta médica particular em saúde mental, em Florianópolis, com avaliação cuidadosa dos sintomas, da história clínica e dos fatores que podem estar contribuindo para a ansiedade.


Sentir ansiedade não significa necessariamente estar doente.

Antes de uma prova, de uma entrevista, de uma mudança importante ou de uma conversa difícil, é natural que o corpo fique mais desperto. A atenção aumenta e nos preparamos para responder.

Em alguma medida, precisamos dessa capacidade.

O problema começa quando esse estado de alerta aparece com intensidade demais, permanece por tempo demais ou passa a ocupar espaços da vida em que já não está ajudando.

É como se um sistema que deveria nos preparar quando algo importante acontece tivesse dificuldade de desligar.

A pessoa resolve um problema e imediatamente antecipa o próximo. Chega a noite, mas a cabeça continua trabalhando. Está conversando com alguém, mas pensando no que precisa fazer amanhã. Está de férias, mas preocupada com a volta.

Pouco a pouco, a vida pode começar a ficar menor.

E esse talvez seja um dos sinais mais importantes de que a ansiedade merece atenção.

1. Como a ansiedade pode ser abordada em uma avaliação médica?

Quando alguém procura atendimento por ansiedade, um primeiro passo é compreender com precisão o que está acontecendo. Sintomas que parecem ansiedade podem se apresentar de formas diferentes, e a avaliação médica também permite considerar se existe alguma condição clínica, medicamento ou substância contribuindo para aquilo.

A partir daí, o cuidado não precisa seguir uma fórmula única. O diagnóstico ajuda a orientar as possibilidades de tratamento, mas é preciso considerar como aquele problema se apresenta e o espaço que está ocupando na vida daquela pessoa

Dr. Gabriel Moore

Sou médico formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com atuação clínica e interesse especial em saúde mental. No consultório, procuro unir avaliação médica cuidadosa, escuta atenta e conhecimento científico, buscando um cuidado que faça sentido para aquilo que cada pessoa está vivendo.

2. Quando a ansiedade começa a ser um problema?

Não existe uma quantidade exata de ansiedade considerada “normal” para todas as pessoas.

O mais importante é perceber o espaço que ela está ocupando na sua vida.

Alguns sinais que merecem atenção são:

  • evitar lugares ou situações que gostaria de viver;
  • recusar oportunidades por medo do que pode acontecer;
  • ter dificuldade frequente para dormir ou descansar;
  • permanecer preocupado mesmo quando não existe nada que possa ser resolvido naquele momento;
  • precisar controlar cada vez mais as situações para conseguir se sentir seguro;
  • ter dificuldade de concentração;
  • deixar projetos importantes para depois;
  • perceber que relações, trabalho ou atividades que antes eram possíveis passaram a gerar sofrimento excessivo.

Você não precisa esperar a ansiedade chegar ao limite para procurar ajuda.

Um sinal importante é perceber que está começando a organizar sua vida ao redor dela:

“Não vou porque posso passar mal.”

“Não tento porque pode dar errado.”

“Só consigo fazer se alguém for comigo.”

“Preciso ter certeza antes de decidir.”

“Vou deixar para depois, quando estiver mais seguro.”

Aos poucos, o medo começa a decidir por você.

3. A ansiedade nem sempre aparece como preocupação

Algumas pessoas percebem primeiro os pensamentos.

A cabeça não para. Uma preocupação leva a outra. A pessoa tenta prever diferentes possibilidades, repassa conversas, imagina problemas futuros ou não consegue se concentrar no que está acontecendo naquele momento.

Em outras pessoas, o corpo aparece primeiro.

Podem surgir tensão muscular, dor nas costas ou no pescoço, mandíbula apertada, bruxismo, dor de cabeça, alterações intestinais, palpitações, sensação de respiração curta ou dificuldade para ter um sono profundo.

E existe ainda uma forma de ansiedade que nem sempre chama atenção porque não parece uma “crise”.

É a dificuldade de estar inteiro no lugar em que você está.

Você está jantando, mas sua cabeça está na reunião de amanhã.

Está com pessoas de quem gosta, mas não consegue realmente aproveitar aquele momento.

Termina uma tarefa e, antes mesmo de sentir que terminou, já está preocupado com a próxima.

Nesse caso, a ansiedade pode não estar impedindo você de fazer as coisas — mas pode estar impedindo que você realmente consiga vivê-las.

4. O que acontece em uma crise intensa de ansiedade?

Uma crise intensa de ansiedade ou um ataque de pânico pode ser muito assustador.

O coração pode acelerar bastante. Pode surgir falta de ar, tremor, tontura, extremidades frias, aperto ou desconforto no peito e uma sensação muito forte de que alguma coisa grave está acontecendo.

Algumas pessoas descrevem a impressão de que vão morrer, desmaiar ou perder o controle.

Especialmente quando isso acontece pela primeira vez, não é adequado simplesmente concluir sozinho que “é só ansiedade”.

Dependendo dos sintomas, da história da pessoa e da forma como o episódio aconteceu, pode ser necessária uma avaliação médica — inclusive com urgência em determinadas situações — para verificar se existe outra condição causando ou contribuindo para aquilo.

Durante uma crise muito intensa, também pode ser difícil pensar com a mesma clareza que você teria fora daquele estado.

Por isso, naquele momento, o objetivo não precisa ser “resolver sua ansiedade” ou entender toda a sua vida.

Primeiro, é preciso atravessar aquele momento com segurança.

Buscar alguém próximo e confiável pode ajudar. Se você sente que não está conseguindo funcionar adequadamente, não é um bom momento para dirigir, operar máquinas ou permanecer sozinho responsável por situações que exigem atenção constante.

E, no que for possível, pode ajudar a não transformar cada sensação em uma nova sequência de pensamentos assustadores.

Perceber:

“Meu coração está acelerado.”

é diferente de imediatamente continuar:

“Meu coração está acelerado, então algo grave está acontecendo, então posso desmaiar, então ninguém vai conseguir me ajudar…”

Um pensamento pode puxar o seguinte e criar uma espécie de bola de neve, deixando aquele estado ainda mais intenso.

Durante uma crise forte, interromper essa sequência nem sempre é fácil — e não se trata simplesmente de “pensar positivo”.

O importante é reconhecer que existe uma diferença entre perceber o que está acontecendo e acrescentar continuamente novas hipóteses assustadoras ao que já está sendo sentido.

5. Depois de uma crise de ansiedade, o cuidado não deveria terminar em “passou”

Depois de uma primeira crise, pode surgir outro medo:

“E se acontecer novamente?”

A pessoa deixa de fazer exercício porque não quer sentir o coração acelerar, evita viajar, só sai acompanhada ou passa a observar o próprio corpo o tempo inteiro.

A crise acabou, mas o medo da próxima começa a restringir as escolhas.

Por isso, depois da fase aguda, vale entender em que momento aquilo surgiu, se existem fatores físicos, medicamentos ou substâncias envolvidos, como estavam o sono, o trabalho e as relações e, principalmente, o que mudou depois da crise.

Também é importante perguntar:

Isso já tinha acontecido antes?

E o que a pessoa começou a evitar depois disso?

Essas perguntas ajudam a perceber se o medo de uma nova crise já começou a modificar sua maneira de viver.

O objetivo é evitar que um episódio se transforme progressivamente numa vida organizada em torno do medo de sentir medo.

O QUE FAZER EM CASO DE CRISE DE ANSIEDADE

Crise intensa → segurança e avaliação médica quando necessário → fase aguda passou → investigar o contexto → observar o que mudou depois → evitar que o medo da próxima crise passe a organizar a vida.

6. Por que estou ansioso?

Essa pergunta raramente tem uma resposta única.

Às vezes existe uma situação recente bastante clara: uma perda, uma mudança, uma sobrecarga de trabalho, um conflito ou uma fase de instabilidade.

Em outras pessoas, a ansiedade foi se formando durante mais tempo e se misturando à maneira como trabalham, se cobram, se relacionam, enfrentam conflitos ou tentam manter controle sobre as situações.

Experiências anteriores também podem continuar influenciando a maneira como respondemos hoje.

Isso não significa que exista sempre algum problema escondido.

Fatores físicos, hábitos, medicamentos e substâncias também podem participar.

O objetivo da avaliação é compreender como esses diferentes elementos estão se combinando naquela pessoa e o que essa combinação está produzindo, em vez de partir da ideia de que a ansiedade deve ser compreendida e tratada da mesma maneira em todos.


Se você percebe que a ansiedade tem ocupado um espaço importante na sua vida, é possível agendar uma avaliação médica.


7. O que pode intensificar a ansiedade?

Além de compreender como a ansiedade apareceu, vale observar o que, naquele momento, pode estar aumentando ou prolongando esse estado.

A ansiedade não acontece isoladamente. Ela acontece dentro de um corpo, de uma rotina e de uma vida que estão em movimento.

Sono insuficiente, jornadas prolongadas de trabalho, pouco descanso, excesso de cafeína, álcool ou outras substâncias, pouca atividade física, horários irregulares e exposição contínua a estímulos podem se somar a outros elementos e intensificar aquilo que a pessoa já está vivendo.

Isso não significa que cada hábito seja um problema ou que exista uma lista universal de coisas que “causam ansiedade”.

Uma pessoa pode estar atravessando uma fase difícil no trabalho, dormindo pouco e recorrendo a mais café para conseguir funcionar.

Outra pode estar vivendo um conflito importante e, ao mesmo tempo, ter perdido atividades que antes ajudavam a diminuir a tensão do dia.

Em outra situação, uma substância pode intensificar palpitações, inquietação ou dificuldade para dormir e se somar a um estado de alerta que já existia.

Não se trata, portanto, de encontrar um único culpado.

Trata-se de perceber quais condições estão se combinando para manter, intensificar ou dificultar a diminuição daquele estado.

Por isso, hábitos e rotina não aparecem na avaliação como uma lista de “certo e errado”. Eles são parte de um quadro maior, junto com a história, o corpo, as relações, o trabalho, o momento atual e outras condições que participam daquilo que a pessoa está vivendo.

ESTADOS, SITUAÇÕES E CONFLITOS QUE PODEM INTENSIFICAR A ANSIEDADE

Estado de alerta/ansiedade no centro, relacionado a sono, sobrecarga, trabalho, conflitos, cafeína/substâncias, rotina irregular, pouco descanso, história e outros elementos — mostrando uma possível interação.

8. Evitar pode aliviar — mas o que acontece depois?

Pense em algo que lhe dava muito medo quando você era criança.

Talvez um animal, um lugar escuro ou uma situação que parecia enorme.

Com o tempo, aquilo pode ter deixado de parecer um “bicho de sete cabeças”.

Com a ansiedade pode acontecer algo semelhante.

Enquanto uma situação é constantemente evitada, ela pode continuar parecendo enorme — e evitar traz um benefício imediato: alívio.

Você cancela e sente alívio.

Pede uma garantia e sente alívio.

Evita aquele lugar e sente alívio.

Controla cada detalhe e sente alívio.

Esse alívio é real.

Mas existe uma pergunta importante:

aquilo que você fez para se sentir melhor agora deixou você mais livre depois?

Aliviar e melhorar não são necessariamente a mesma coisa.

Uma pessoa pode sentir pouca ansiedade porque deixou de fazer praticamente tudo que a provoca.

Pode aparentar estar bem porque vive apenas dentro de condições muito controladas.

Mas cada nova condição necessária para sentir segurança pode deixar a vida um pouco mais estreita.

Melhorar é diferente.

É ampliar as maneiras possíveis de responder.

É conseguir sentir algum medo sem concluir automaticamente que precisa recuar, sentir insegurança e ainda conseguir avaliar o que faz sentido, experimentar desconforto sem precisar eliminá-lo imediatamente.

COMO A ANSIEDADE PODE RESTRINGIR A VIDA

Situação difícil → ansiedade/desconforto → evitação ou necessidade de controle → alívio imediato → vida mais restrita → mais medo da próxima vez.

9. Isso não significa enfrentar tudo

Também é importante não transformar “enfrentar a ansiedade” numa nova obrigação.

Nem todo desconforto precisa ser suportado.

Às vezes o que precisa mudar é realmente a situação.

Você pode continuar no mesmo trabalho e aprender a se posicionar de outra maneira, continuar convivendo com a mesma família e estabelecer novos limites ou permanecer numa relação e responder de forma diferente ao que acontece.

Mas também pode perceber que alguma situação realmente está fazendo mal e precisa ser modificada.

O objetivo não é tornar-se capaz de suportar qualquer coisa.

É reconhecer melhor a diferença entre:

“isso é desconfortável, mas posso atravessar”

e

“isso está ultrapassando meus limites e preciso agir sobre a situação”.

Às vezes, a mesma situação continua existindo, mas deixa de pesar da mesma maneira.


Se você percebe que a ansiedade tem ocupado um espaço importante na sua vida, é possível agendar uma avaliação médica.


10. Ansiedade e a necessidade de ter certeza

Para algumas pessoas, uma parte importante da ansiedade aparece na tentativa de controlar aquilo que ainda não aconteceu.

“E se der errado?”

“E se eu passar mal?”

“E se eu me arrepender?”

“E se ele estiver bravo comigo?”

“E se eu perder essa oportunidade?”

É natural se preparar.

Podemos avaliar riscos, nos organizar e tomar cuidados.

O problema começa quando só conseguimos agir depois de obter uma garantia que a vida não consegue oferecer.

Quase nunca sabemos exatamente como uma situação terminará.

Quando a necessidade de certeza cresce demais, algumas tentativas de controle podem começar a se repetir:

A pessoa revisa a mesma mensagem várias vezes.

Pergunta repetidamente se está tudo bem.

Pesquisa continuamente uma sensação no corpo.

Planeja todas as possibilidades antes de tomar uma decisão.

E, ainda assim, a certeza não chega.

ansiedade passando por melhora
ansiedade com resultado após tratamento

Parte da mudança pode ser deixar de buscar segurança apenas tentando controlar o futuro e desenvolver mais recursos para responder ao que acontecer.

Isso não significa pensar:

“Eu dou conta de tudo.”

É algo mais realista:

“Posso me preparar para aquilo que está ao meu alcance e responder ao restante quando ele acontecer.”

11. Entender a ansiedade exige olhar para a pessoa inteira

Quando alguém chega dizendo “acho que tenho ansiedade”, identificar corretamente o que está acontecendo é importante.

Ansiedade não é um diagnóstico único. Crises ou ataques de pânico, ansiedade generalizada, ansiedade relacionada a situações específicas e outros quadros podem exigir caminhos diferentes. Além disso, condições físicas, medicamentos e substâncias podem produzir ou piorar sintomas semelhantes.

Mas duas pessoas com o mesmo diagnóstico ainda podem viver aquele problema de maneiras muito diferentes.

Para uma, tudo começou recentemente. Para outra, os sintomas foram se misturando ao longo dos anos ao trabalho, às relações, ao sono e à maneira de lidar com cobranças e incertezas.

Por isso, uma avaliação não deveria se limitar a encaixar sintomas numa lista.

É preciso compreender como aquilo passou a acontecer naquela pessoa e o que está participando da manutenção desse estado hoje.

Isso pode envolver saúde física, medicamentos, sono, rotina e hábitos, mas também trabalho, relações, acontecimentos recentes, experiências anteriores, formas de responder ao medo e aquilo que a pessoa deixou de viver ao longo do caminho.

Nem sempre essas relações estão claras desde a primeira conversa.

Às vezes o paciente sabe apenas que “alguma coisa não está bem”, e parte do trabalho é construir essa compreensão junto com ele.

Também importa observar o que a pessoa passou a evitar ou controlar, quais situações mantêm o estado de alerta e em quais momentos ela percebe que algo muda — que volta a existir mais espaço, interesse ou tranquilidade.

Perguntas como estas podem abrir caminhos:

O que a ansiedade está impedindo você de viver hoje?

O que mudou desde que isso começou?

Em que situações você volta a se sentir mais livre ou presente?

As respostas não precisam estar prontas imediatamente.

Por isso, considero importante que haja tempo para conversar.

Minhas consultas têm duração aproximada de uma hora para que essas diferentes dimensões possam ser exploradas com calma.

Isso não significa que tudo será resolvido em um encontro. Algumas relações aparecem rapidamente; outras só se tornam mais claras ao longo do acompanhamento.

A avaliação médica e o conhecimento sobre os diferentes transtornos e tratamentos disponíveis orientam as possibilidades de cuidado. A partir daí, é preciso compreender quais delas fazem sentido para aquela pessoa e acompanhar sua resposta ao longo do tempo.


Se você percebe que a ansiedade tem ocupado um espaço importante na sua vida, é possível agendar uma avaliação médica.


12. Como esse estado de ansiedade começa a mudar?

Não existe um botão consciente capaz de simplesmente fazer o corpo desligar.

Saber racionalmente que alguma coisa não é perigosa nem sempre é suficiente para deixar de sentir medo.

Como a ansiedade não acontece isolada do corpo e da vida, a mudança também não acontece apenas “pensando diferente”.

Ela pode envolver diferentes caminhos, como:

  • sono e rotina;
  • relações e limites;
  • mudanças concretas no cotidiano;
  • aproximação gradual de situações que vinham sendo evitadas;
  • psicoterapia;
  • atividade física;
  • retomada de projetos e interesses;
  • medicação, quando indicada.

Esses movimentos não atuam separadamente. Muitas vezes, uma mudança cria condições para outra.

Dormir melhor, por exemplo, pode modificar a maneira como o corpo atravessa o dia. Em outro momento, uma medicação pode diminuir a intensidade dos sintomas e abrir espaço para que outras questões possam ser trabalhadas. Mudar a forma de se posicionar numa relação também pode fazer com que uma situação antiga deixe de produzir exatamente a mesma resposta.

Essas são experiências novas, e elas também passam a participar da maneira como a pessoa responde dali em diante.

Uma situação que antes parecia impossível pode começar a ser atravessada de outra maneira.

Um desconforto que levava imediatamente à fuga pode deixar de produzir a mesma resposta.

Uma relação antiga pode encontrar alguém que agora consegue se posicionar de outra forma.

E qual pode ser o papel da medicação?

A medicação pode ser muito importante no tratamento da ansiedade.

Em algumas situações, diminuir a intensidade dos sintomas permite voltar a dormir, pensar com mais clareza, trabalhar, fazer psicoterapia ou simplesmente criar espaço para outras mudanças.

Mas a diminuição da ansiedade não precisa ser o objetivo final.

Uma pergunta importante é:

o que estamos conseguindo fazer a partir do espaço que essa melhora abriu?

Se alguém estava sofrendo dentro de determinada situação, não faria sentido apenas reduzir os sintomas para que consiga suportar indefinidamente aquilo que continua lhe fazendo mal.

Às vezes o ambiente precisa mudar.

Às vezes muda a maneira de estar nele.

Frequentemente, existem vários elementos envolvidos.

Quando uma medicação é indicada, seu benefício, dose e tempo de uso precisam ser avaliados e revistos ao longo do acompanhamento.

Em alguns quadros, ela pode precisar ser mantida por períodos prolongados. Em outros, pode não ser necessária.

Essa decisão depende do diagnóstico, da resposta ao tratamento, dos riscos, dos efeitos adversos e das características de cada pessoa.

13. Recuperar presença, movimento e interesse

Melhorar da ansiedade não acontece apenas pela diminuição dos sintomas.

Em muitas situações, parte da mudança também envolve voltar a entrar em contato com experiências, relações e atividades que ampliam a vida para além da preocupação, do medo e da tentativa de controle.

Música, esporte, arte, relações, projetos, natureza, curiosidade e interesses pessoais não precisam ser vistos apenas como hobbies ou distrações.

Para algumas pessoas, essas experiências ajudam a recuperar presença, movimento e interesse. Elas podem criar novas formas de estar no cotidiano, ampliar possibilidades de ação e fazer com que a vida deixe de se organizar apenas em torno daquilo que ameaça, preocupa ou precisa ser controlado.

ANSIEDADE COM MELHORA APÓS TRATAMENTO MULTIDIMENSIONAL

Não existe uma lista universal.

Aquilo que para uma pessoa é apenas passatempo pode ocupar um lugar profundamente importante para outra.

Talvez algo que você deixou de fazer porque “não tinha utilidade”, “não dava dinheiro” ou porque a vida ficou ocupada demais fosse justamente uma experiência que lhe colocava em contato com curiosidade, envolvimento ou vitalidade.

Existe alguma coisa que, quando você faz, percebe que o tempo passa diferente?

O que você deixou de fazer que um dia foi muito importante para você?

Essas experiências não precisam ser entendidas como algo externo ao tratamento. Em alguns casos, retomar atividades, relações e interesses faz parte do próprio processo de mudança, porque oferece outras experiências a partir das quais a pessoa pode responder de maneira diferente ao medo, à incerteza e ao desconforto.

Às vezes isso fica mais evidente quando saímos temporariamente da rotina.

Uma viagem, por exemplo, pode colocar a pessoa em outro ambiente, diante de outros lugares, encontros e possibilidades. Por algum tempo, não existem exatamente os mesmos papéis, os mesmos olhares ou as mesmas histórias acumuladas.

É comum voltar de férias pensando:

“Agora vou mudar isso.”

“Vou organizar aquilo.”

“Não preciso me preocupar tanto com aquela outra coisa.”

O objetivo de um tratamento não é viver permanentemente como se estivéssemos de férias.

Mas experiências assim podem mostrar algo importante:

existem outras maneiras possíveis de estar na própria vida.

A questão passa a ser perceber o que muda nesses momentos e como criar, no cotidiano, condições para que mais presença, interesse, movimento e liberdade também possam aparecer — sem precisar fugir da própria vida para encontrá-los.

14. O que significa realmente melhorar da ansiedade?

Melhorar não significa obrigatoriamente a mesma coisa para todas as pessoas.

Em alguns casos, os sintomas podem diminuir muito ou até deixar de estar presentes como um problema. Em outros, a ansiedade pode reaparecer em determinados momentos da vida — especialmente diante de situações importantes, mudanças ou incertezas — sem voltar a ocupar o mesmo espaço de antes.

Isso é diferente de simplesmente aprender a conviver para sempre com uma ansiedade que continua limitando a vida.

Melhorar pode significar deixar para trás um estado de alerta que antes parecia permanente. Pode significar voltar a dormir melhor, conseguir se concentrar, retomar projetos, relações e experiências que haviam sido deixadas de lado.

E também pode significar ampliar as possibilidades de resposta: conseguir sentir medo ou insegurança sem que isso determine automaticamente o que você pode ou não fazer.

A ansiedade faz parte da vida e, em algumas situações, cumpre uma função importante. O objetivo não é transformar qualquer medo ou preocupação em doença, mas também não é normalizar um estado de ansiedade persistente que está causando sofrimento ou diminuindo suas possibilidades de viver.

O tratamento busca criar condições para que esse estado deixe de ocupar um lugar central.

Às vezes, porque a ansiedade deixa de estar presente como um problema.

Outras vezes, porque, quando aparece, já não encontra as mesmas condições para crescer, permanecer e organizar a vida ao redor dela.

Melhorar é recuperar liberdade: poder viver sem que a ansiedade precise definir, antecipadamente, até onde você consegue ir.


Se você se identificou com situações descritas neste artigo e gostaria de compreender melhor o que está acontecendo, você pode entrar em contato para agendar uma consulta.


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15. Referências

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